sexta-feira, abril 29, 2005

.... e se foi

Dificil lidar com o presente quando ele ainda esta preso ao passado...
Não sei se um dia nos livramos das lembranças, ou se ao menos aprendemos a construir novos dias, novas relações , observando de um parâmetro positivo, onde as magoas e erros ficam imersos em uma segunda categoria de análise....
Parece que as pessoas esquecem que ninguém sabe lidar com a vida , com as emoções que ela proporciona , com a nostalgia que ela deixa . Nos sentimos desprotegidos, ameaçados e feridos, diante de qualquer NOVO !!! Contudo , sempre todos estamos aptos a julgar qualquer atitude.
Não aprendemos a ser tão flexíveis quanto o constante ritmo mundano nos exige, onde desmancha tudo o que é sólido sem no entanto menospresar a concretude diante de sua intensa significação particular.
Ao mesmo tempo que não esquecemos as expriências maléficas, esquecemos sim, os laços que permitiram que elas se constituissem...
Triste , mas real !
No fim , tudo passa de maneira fácil e insignificante: inclusive eu e você !!!!

quarta-feira, abril 13, 2005

Homenagem !!!!

Esse post é uma homenagem ao Leonardo...
Leo , obrigada por me fazer companhia nesse mundo cibernético tão solitário !!! hiehaieahiehaihe
De fé mesmo, agora , sem sacanagem... Você sempre é o único que aparece na tela do meu pc...
VALEUUUUUUU por não me deixar abandonada com meus pensamentos e desesperossss...
Beijão !!!!

segunda-feira, abril 11, 2005

O que será (À flor da pele)

O que será que será
Que me bole por dentro, será que será
Que brota à flor da pele, será que me dá
O que me sobe as faces e me faz corar
O que me salta aos olhos a me atraçoar
E que me aperta o peito e me faz confessar
O que não tem mais jeito de dissimular
O que nem é direito ninguém recusar
O que me faz mendigo, me faz suplicar
O que não tem medida, nem nunca terá
O que não tem remédio, nem nunca terá
O que não tem receita

O que será que será
Que dá dentro da gente e não devia
Que desacata agente, que é revelia
Que é feito uma aguardente que não sacia
Que é feito estar doente de uma folia
Que nem dez mandamentos vão conciliar
Nem todos os ünguentos vão aliviar
Nem todos os quebrantos, toda alquimia
Que nem todos os santos, será que será
O que não tem descanso, nem nunca terá
O que não tem cansaço, nem nunca terá
O que não tem limite

O que será que me dá
Que me queima por dentro, será que me dá
Que me perturba o sono, será que me dá
Que todos os tremores me vêm agitar
Que todos os ardores me vêm atiçar
Que todos os suores me vêm encharcar
Que todos os meus nervos estão a rogar
Que todos os meus orgãos estão a clamar
E uma aflição medonha me faz implorar
O que não tem vergonha, nem nunca terá
O que não tem vergonha, nem nunca terá
O que não tem juízo...

(Chico Buarque )

domingo, abril 10, 2005

Presente

Matéria dos sonhos
Ontem, em poucos casos amanhã
Nunca o hoje.
Presente concreto!
Muro grosso que esfregamos a cara, sem nos darmos conta.
Presente não se cogita, vive-se!
Porque não há tempo e
porque há tempo de sobra.
Presente não se objetiva, sente-se!
Imerso nele eu não o vejo
só quando se foi ...
E sinto saudades.
Ansiosa eu o pré vejo e me culpo,
por não recebê-lo quando chega.
Presente dado a mim
num momento que eu não me lembro
por não enxergar ainda.
Presente cruz a carregar, sem que se toque
Cruz projetada, fluida, escapando por entre meus dedos.
Dela só os restos ou a expectativa de tocá-la.

( autora: Mariana Avelar)

ps: Desculpe a ousadia de postar uma crônica tão pessoal , mas não pude deixa-la disperdiçada guardada em uma caixa! Belíssima forma de expressão.

terça-feira, abril 05, 2005

Holocausto

Estava lendo o livro de Claude Lanzmann, chamado ShOaH, emprestado pelo meu grande amigo Igor.
Pensando sobre os depoimentos dos participantes indiretos e diretos do holocausto, apreendi um certo momento no qual todos os meus sentimentos ficaram inertes.
Tenho a impressão que , diante uma intensa dose de condutas desumanas, cruéis e despresíveis, cheguei ao auge da minha capacidade de absorção ou asssimilação, ao ponto que nada mais sentia ao ler palavras como :
" crânios de crianças espatifados" , " centenas de corpos" , " abriam as veias de suas filhas", " gritos e gemidos explodem", " líquidos e secrementos escoavam dos trens especiais" ....
Como podemos naturalizar tudo de maneira tão rápida ??
FIco imaginando que pessoas que conviveram com tais acontecimentos, ao longo da repetição, acabaram por adaptar-se.
O silêncio meio aos gritos; as novas moradias mediadas pelas novas ordens do governo; o esvaziamento das vilas. Tudo passa enquanto a vida continua. E todos ficam inertes a espera do amanhã , do fim, do próximo.
Que sensação estranha. A cada página virada me sentia vivendo a época, e percebi que o absurdo é tão grande que como eu, que esperava a próxima página, o próximo caso a ser contado, muitos silenciadores e silenciados , também apenas esperaram , e respeitaram a dinâmica imposta.
Um livro como esse , se fossemos capaz de sentir com a intensidade que me sinto obrigada, não teria como ser acabado... pois o sentimento de revolta me levaria a uma histeria sem volta.