domingo, abril 10, 2005

Presente

Matéria dos sonhos
Ontem, em poucos casos amanhã
Nunca o hoje.
Presente concreto!
Muro grosso que esfregamos a cara, sem nos darmos conta.
Presente não se cogita, vive-se!
Porque não há tempo e
porque há tempo de sobra.
Presente não se objetiva, sente-se!
Imerso nele eu não o vejo
só quando se foi ...
E sinto saudades.
Ansiosa eu o pré vejo e me culpo,
por não recebê-lo quando chega.
Presente dado a mim
num momento que eu não me lembro
por não enxergar ainda.
Presente cruz a carregar, sem que se toque
Cruz projetada, fluida, escapando por entre meus dedos.
Dela só os restos ou a expectativa de tocá-la.

( autora: Mariana Avelar)

ps: Desculpe a ousadia de postar uma crônica tão pessoal , mas não pude deixa-la disperdiçada guardada em uma caixa! Belíssima forma de expressão.