terça-feira, junho 13, 2006

Dificil lidar com o presente quando ele ainda esta preso ao passado...
Não sei se um dia nos livramos das lembranças, ou se ao menos aprendemos a construir novos dias, novas relações , observando de um parâmetro positivo onde as magoas e erros ficam imersos em uma segunda categoria de análise.
Parece que as pessoas esquecem que ninguém sabe lidar com a vida e com as emoções que ela proporciona ; com a nostalgia que ela deixa ... Contudo , sempre estamos todos aptos a julgar qualquer atitude.
Sentimo-nos desprotegidos, ameaçados e invadidos, diante qualquer NOVO !!!!Não aprendemos a ser tão flexíveis quanto o constânte ritmo mundano exige, onde desmancha tudo o que é sólido sem no entanto menospresar a concretude de sua intensa significação particular.
De forma contraditória, ao mesmo tempo que não esquecemos as experiências maléficas, esquecemos os laços que permetiram que elas se constituissem.
Triste , mas real !
No fim , tudo passa . Inclusive eu e você !!!!

OLHE AO REDOR !!!

Olhe para todos a seu redor e veja o que temos feito de nós.
Não temos amado, acima de todas as coisas.
Não temos aceito o que não entendemos porque não queremos passar por tolos.
Temos amontoado coisas, coisas e coisas, mas não temos um ao outro.
Não temos nenhuma alegria que já não esteja catalogada.
Temos construído catedrais, e ficado do lado de fora, pois as catedrais que nós mesmos construímos, tememos que sejam armadilhas.
Não nos temos entregue a nós mesmos, pois isso seria o começo de uma vida larga e nós a tememos.
Temos evitado cair de joelhos diante do primeiro de nós que por amor diga: tens medo.
Temos organizado associações e clubes sorridentes onde se serve com ou sem soda.
Temos procurado nos salvar, mas sem usar a palavra salvação para não nos envergonharmos de ser inocentes. Não temos usado a palavra amor para não termos de reconhecer sua contextura de ódio, de ciúme e de tantos outros contraditórios.
Temos mantido em segredo a nossa morte para tornar nossa vida possível. Muitos de nós fazem arte por não saber como é a outra coisa.
Temos disfarçado com falso amor a nossa indiferença, sabendo que nossa indiferença é angústia disfarçada. Temos disfarçado com o pequeno medo o grande medo maior e por isso nunca falamos o que realmente importa. Falar no que realmente importa é considerado uma gafe.
Não temos adorado por termos a sensata mesquinhez de nos lembrarmos a tempo dos falsos deuses.
Não temos sido puros e ingênuos para não rirmos de nós mesmos e para que no fim do dia possamos dizer "pelo menos não fui tolo" e assim não ficarmos perplexos antes de apagar a luz.
Temos sorrido em público do que não sorriríamos quando ficássemos sozinhos.
Temos chamado de fraqueza a nossa candura. Temo-nos temido um ao outro, acima de tudo. E a tudo isso consideramos a vitória nossa de cada dia.
CLARICE LISPECTOR